domingo, 7 de fevereiro de 2010

domingo, 15 de novembro de 2009

Oficina

Tô escrevendo esse texto que está aí embaixo há uns dois meses. Já mexi nele de várias formas tentando melhorá-lo, incluindo novas impressões, organizando melhor as idéias, escolhendo termos ideais e etc. Hoje decidi publicá-lo logo porque me lembrei que esse blog é uma oficina literária e quem sabe um dia eu não publico esse trecho dentro de um conto bem escrito?

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As duas mãos grudadas no volante, a janela aberta com vento arrepiando os pêlos do braço até as costas, parcialmente cobertas pela regata branca usada sem sutiã. Era quase cinco, voltava pra casa depois de um show intenso, havia beijado o rapaz bonito com quem paquerava incessantemente durante a noite, gastando o charme que achava que podia ter. O cabelo negro solto, levemente enrolado nas pontas, agora despenteado, caía sobre os ombros desnudos, tocando de leve a pele morena. Dançava lentamente Time, do Pink Floyd, quando ele tocou sua cintura no primeiro gesto afirmativo. Usava uma camiseta escrito Jivago, narigudo, cabelo despenteado, barba por fazer, era tão tipicamente perfeito para o seu gosto que nem percebeu quando começou a fazer charme, quase mecânica. O envolvimento foi pleno de ambas as partes. Pleno por algumas horas e só. Descobriu que o parceiro efêmero era casado. Se perguntou que diferença isso podia fazer e num estalo se deu conta da importância que dava a si mesma.

A madrugada de São Paulo lhe presenteava com asfalto quente sem trânsito e o rio margeando a avenida larga. Uma vez leu um conto sobre uma mulher que numa manhã, enquanto vai ao trabalho, decide mudar o trajeto habitual para pegar a avenida beira-rio e acompanhar o Guaíba nas primeiras horas do dia. Quando leu sentiu uma inveja cerrada dessa mulher, e só depois de algum tempo se deu conta de que um rio largo e viscoso lhe marjeava todas as manhãs a caminho do escritório. O rio lhe marjeava naquele exato momento, enquanto pensava coisas aparentemente desconexas em ritmo acelerado. O movimento era sua única certeza, sua única motivação, talvez a única coisa que lhe fazia sentido e acalmava em certa medida. Se percebeu tomada por um sentimento em transição, era Joaquina novamente em plena consciência. Enfim, se deu conta do tamanho da importância que dava ao amor e como há muito tempo praticava apenas jogos de amor. Decidiu mudar, selou o veredicto em voz alta, sozinha à margem do rio, como se ao ouvir a própria voz tornasse a decisão uma promessa, um compromisso e seguiu até sua casa. A partir desse momento não era mais uma menina esperando um amor ou jogando com ele. Percebeu que o amor como ela desejava não estava mais em primeiro lugar pra ninguém a sua volta, e seguiu dali pra frente com a dolorosa impressão de que não o sentiria novamente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre maturidade e Academia
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Quem por dias seguidos já acordou com a sensação de que preferia não ter acordado e de que nada no seu longo e rotineiro dia fará sentido sabe que esse lance de auto-ajuda sobre superar barreiras e acreditar em si mesmo exige muito mais do que força de vontade. Estou convencida de que a auto-estima e a autoconfiança tem apenas um pré-requisito: autoconhecimento. Cada experiência pessoal e cada reflexão sobre si mesmo proporcionam um tipo de maturidade diferente, e cada uma influencia a seu modo as atitudes e os planos que vem depois. O melhor disso tudo é perceber que, com o tempo, é possível desviar dessas barreiras cotidianas de um modo cada vez mais prático, mais racional, mais leve, e, no auge, de um modo até poeticamente irônico. Será que tudo isso não é muito óbvio? Pode até ser, mas escrever esse parágrafo foi essencial para o meu exercício de autoconhecimento.
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Me deparei pensando essas coisas há alguns dias quando encontrei o texto abaixo entre uns papéis perdidos. Escrevi quando estava no segundo semestre da faculdade, após a quarta recusa na solicitação de bolsa estudantil. Reler esse texto agora me impulsionou a escrever o parágrafo acima e sei que é muito ingênuo mas, só agora faz sentido dizer, que hoje eu passaria por isso sem tantas inseguranças e sem tanto desespero.
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"Nunca terei orgulho em falar daqui. Afirmo com serenidade que os julgamentos sociais a que sou submetida conspiram para uma empurrada vertical cada vez mais para baixo. Essa universidade como mais uma das instituições sociais comprometidas com a reprodução e manutenção das massacrantes relações de poder e da burocracia se arrependerá do empuxo. Meu salto extrapola o empurrão e a PUCSP não me encerra como cidadã acadêmica. Se minhas aptidões e compromisso intelectual inegáveis não são suficientes a essa valiação, então estufo o peito, risco a vida mais dois anos e, de saída, não carrego esse nome com alegria. PUCSP: quem faz se orgulha. De quê?"

domingo, 20 de setembro de 2009

Por uma vida menos ordinária

Comédia romântica não é o tipo de filme que eu considero cinema de verdade, exceto único e exclusivamente pelo filme "Por uma vida menos ordinária" (1997, direção de Dany Boyle).

Encontrei o DVD por vinte contos, depois de tanto tempo procurando, e hoje finalmente assisti de novo. Eventualmente me lembrava da cena do karaoke, mas sempre esquecia qual era música (tinha em mente algum clássico da década de 60 cantado por um daqueles figurões tipo Frank Sinatra e quase acertei). Para minha surpresa e espanto, o comecinho da letra já estava ali num comentário anônimo do post de 20 de agosto.

Minha curiosidade e insônia me obrigam a pedir solenemente:

Querido anônimo, identifique-se e torne a minha noite um pouco menos ordinária.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Porque agora eu só escuto os sons graves do antigo punk rock.

* na foto: Paul Simonon

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Se eu fosse a moça, nunca teria me levantado dessa cadeira...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Problema de semântica

Inusitadamente acho que descobri um dos motivos para os namoros em geral não darem certo: as mulheres pedem espaço, mas os homens entendem distância. E vice-versa.
Uma definição