segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre maturidade e Academia
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Quem por dias seguidos já acordou com a sensação de que preferia não ter acordado e de que nada no seu longo e rotineiro dia fará sentido sabe que esse lance de auto-ajuda sobre superar barreiras e acreditar em si mesmo exige muito mais do que força de vontade. Estou convencida de que a auto-estima e a autoconfiança tem apenas um pré-requisito: autoconhecimento. Cada experiência pessoal e cada reflexão sobre si mesmo proporcionam um tipo de maturidade diferente, e cada uma influencia a seu modo as atitudes e os planos que vem depois. O melhor disso tudo é perceber que, com o tempo, é possível desviar dessas barreiras cotidianas de um modo cada vez mais prático, mais racional, mais leve, e, no auge, de um modo até poeticamente irônico. Será que tudo isso não é muito óbvio? Pode até ser, mas escrever esse parágrafo foi essencial para o meu exercício de autoconhecimento.
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Me deparei pensando essas coisas há alguns dias quando encontrei o texto abaixo entre uns papéis perdidos. Escrevi quando estava no segundo semestre da faculdade, após a quarta recusa na solicitação de bolsa estudantil. Reler esse texto agora me impulsionou a escrever o parágrafo acima e sei que é muito ingênuo mas, só agora faz sentido dizer, que hoje eu passaria por isso sem tantas inseguranças e sem tanto desespero.
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"Nunca terei orgulho em falar daqui. Afirmo com serenidade que os julgamentos sociais a que sou submetida conspiram para uma empurrada vertical cada vez mais para baixo. Essa universidade como mais uma das instituições sociais comprometidas com a reprodução e manutenção das massacrantes relações de poder e da burocracia se arrependerá do empuxo. Meu salto extrapola o empurrão e a PUCSP não me encerra como cidadã acadêmica. Se minhas aptidões e compromisso intelectual inegáveis não são suficientes a essa valiação, então estufo o peito, risco a vida mais dois anos e, de saída, não carrego esse nome com alegria. PUCSP: quem faz se orgulha. De quê?"

domingo, 20 de setembro de 2009

Por uma vida menos ordinária

Comédia romântica não é o tipo de filme que eu considero cinema de verdade, exceto único e exclusivamente pelo filme "Por uma vida menos ordinária" (1997, direção de Dany Boyle).

Encontrei o DVD por vinte contos, depois de tanto tempo procurando, e hoje finalmente assisti de novo. Eventualmente me lembrava da cena do karaoke, mas sempre esquecia qual era música (tinha em mente algum clássico da década de 60 cantado por um daqueles figurões tipo Frank Sinatra e quase acertei). Para minha surpresa e espanto, o comecinho da letra já estava ali num comentário anônimo do post de 20 de agosto.

Minha curiosidade e insônia me obrigam a pedir solenemente:

Querido anônimo, identifique-se e torne a minha noite um pouco menos ordinária.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Porque agora eu só escuto os sons graves do antigo punk rock.

* na foto: Paul Simonon

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Se eu fosse a moça, nunca teria me levantado dessa cadeira...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Problema de semântica

Inusitadamente acho que descobri um dos motivos para os namoros em geral não darem certo: as mulheres pedem espaço, mas os homens entendem distância. E vice-versa.
Uma definição





quarta-feira, 5 de agosto de 2009

- Devo deixar esta casa. Estou desesperadamente apaixonada. A última coisa que quero é partir, mas prefiro morrer a viver com culpa.
- Nada disso me surpreende. O que me surpreende é quão pouco o mundo muda.
- O que me aconselha?
- Se bem me lembro, qualquer conselho é inútil.
- Nunca me senti tão infeliz.
- Os que mais merecem amor não são felizes com ele.
- Porque tem de ser assim?
- Ainda acha que os homens amam como nós? Não. Os homens saboreiam a felicidade que sentem. Nós só saboreamos a felicidade que damos. Eles não conseguem se dedicar só a uma pessoa. Esperar tornar-se feliz com o amor é uma causa certa de sofrimento.

(Recorte do filme "Ligações Perigosas", de Stephen Frears - 1988)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Porque eu escrevo - Parte III

Cristovão Tezza, escritor curitibano, em entrevista de julho/2009:

Você está escrevendo um livro sobre o amor, tema muito comum e, por isso mesmo, muito difícil de abordar. Durante a arquitetura de "O Filho Eterno", você teve que enfrentar o desafio de fugir à grande carga de sentimentalismo que escrever sobre a experiência de criar e aceitar um filho especial pode trazer à tona. Como evitar o sentimentalismo ao falar de amor?
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Não sei bem. O tema me escolheu, como sempre acontece nos meus livros, e eu mergulhei nele. A questão não é técnica, propriamente. É o olhar de quem escreve. Eu aprendi a não me entregar às facilidades amortecedoras do sentimentalismo. Pode ser legal na vida real, mas é terrível na literatura. Escrever tem de ser sempre um certo exercício de crueldade, para se ir um pouco mais longe na percepção das coisas.