Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Domingo, 14 de Junho de 2009
Por que eu escrevo - Parte II
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso. A palavra foi feita para dizer."
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso. A palavra foi feita para dizer."
(Infância - Graciliano Ramos)
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Grandes planos e expectativasApós os quase dois meses de silêncio nesse espaço parei pra pensar numa maneira realmente altiva de voltar a preenchê-lo com as minhas experiências de "menina que não quer crescer". Na real, neste momento me bateu uma sensação de truncamento desse "grandes planos e expectativas" que me deixaram ainda mais animada pra escrever, como que tirando um sarro da minha própria cara (tipo: caramba, como perdi tempo com besteira!) e me preparando pra começar tudo de novo: pensar, correr, conversar, planejar, me decepcionar e etc. Enfim, viver achando que estou fazendo as coisas certas.
De modo geral os meus dias durante esse silêncio foram muito atribulados e deles, sem dúvida, surgiram outros planos e expectativas que eu espero ansiosamente realizar e saciar, como é habitual. Entre as tantas coisas, agora quero ser mais presente para os meus amigos mais distantes, quero escrever um fanzine de verdade com as pessoas que me convidaram pra isso e quero me dedicar ao meu contrabaixo quebrado pra que ele se torne enfim o meu companheiro.
De fato, agora praticarei o silêncio de outras formas, tentando também controlar minha impulsividade inútil e minha mania de saber de tudo. Por exemplo, meu único plano hoje é assistir ao filme "O silêncio dos inocentes", assim, mesmo que não tenha relação nenhuma com nada do que eu disse. No fim se acha alguma.
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Por que eu escrevo
"O que chamamos de inspiração tem muito a ver com conseguir estranhar a vida por um instante - não mais reconhecê-la e, apavorado, ter de lidar com isso. Escrevo porque a literatura é minha maneira de expressar esse estranhamento. Eu poderia guardá-lo, mas não consigo. O estranhamento alheio pode ser pertinente ou impertinente. Meu desafio é tornar o meu o mais pertinente possível para o leitor - e isso, meus caros, é um processo violento que recusa qualquer idealização. Não ter conseguido evitar a literatura quando ainda era tempo explica uma boa parte do sofrimento que conheço hoje em dia. Há sofrimentos muito piores. Me considero feliz porque sei que escolhi bem. Hoje entendo muito melhor uma frase de Bataille que usamos em 2001 para apresentar o selo editorial Livros do Mal ao mundo: 'A literatura não é inocente, e, culpada, ela enfim deveria se confessar como tal.' Eu confesso. Confesso tudo. Sou culpado e, nos próximos meses, tentarei redigir mais um capítulo dessa confissão."
Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Sobre especulação e expectativa - Parte II
- Amanda, acho que você foi muito auto-crítica.
- Tipo, modesta?
- É. Modesta, sim.
- Estou trabalhando uma nova maneira de lidar com expectativas.
- Mas essa maneira também pode ser decepcionante. Tenho uma postura parecida quanto a relacionamentos.
- Eu também já tive, mas a algum tempo resolvi fazer o contrário e tem dado certo. Porque você não tenta? Vale a pena, mesmo que apenas por um dia.
- Mas como você lida com a frustração?
- Eu escrevo.
Domingo, 15 de Março de 2009
Deixo que os outros falem por mim
"Permanecia uma hora inteira mergulhado dentro da banheira, escutando música, até a água ficar fria. E especialmente ali, dentro da água, eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais pra morrer jovem."
(Daniel Galera - Até o dia em que o cão morreu)
Terça-feira, 10 de Março de 2009
O que estou vendo - Parte I
Alan Sieber: http://talktohimselfshow.zip.net/

Alan Sieber: http://talktohimselfshow.zip.net/

Porque sarcasmo nunca é demais.
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