quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007


Texto 8 - O que será que ela pensa?

Hoje encontrei um texto de Joaquina, escrito em 2002. Na data marcava apenas seus 15 anos e me assusta saber que seus pensamentos em relação ao amor pouco mudaram. Acho engraçado ela pensar que era madura naquele tempo...

“Defronto-me com essa vida insuportável! Como amar é vão, desnecessário e desperdiçador. Mas porque querer tanto tal condição? Deparo-me embevecida em sentimentos gratuitos. Creio que o mundo é imenso demais para prestar tão pouco; a vida é ingrata e ordinária, sendo estes dois as causas de minhas dores. A verdade é que maturidade não diminui dor alguma. Só o tempo tem esse poder, e como conseqüência das causadoras citadas acima, ele demora a passar. Sei que gostaria de muitas coisas, mas pensar assim em tal momento é estarrecedor! Dá um ar de melancolia barata, falsa crença no futuro, etc. A dor, mais do que incomoda, se mostra permanente, insolúvel.”

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Texto 7 - A moça da história

Joaquina tem 22 anos, pele clara e olhos grandes, castanhos como os cabelos curtos. Sente que engordou nos últimos tempos, mas para os olhares alheios mantém as boas formas: cintura fina, quadril largo, seios pequenos. Tímida, nutre um maldito desejo de encontrar alguém e tudo em volta brilhar, ter o andar e o sorriso charmosos, virar a vida de um rapaz e a sua própria, mesmo que só por um dia pra poder lembrar depois. Enfim, essa vontade de querer ser inesquecível a perturba. Não sabe ao menos se um dia a alcançou. Um tanto controversa, sua mente vagueia entre o emocional piegas e a razão idosa. Para ela o amor é uma "instituição falida", como tantas outras. Entre palavras contidas e chutes no balde, por vezes se vê em busca de algo que nem acredita existir. Igualdade social, casamento feliz por 25 anos? Não acredita nas velhas teorias de sempre: marxismo, socialismo, amor platônico(...) Queria apenas ter olhos de ressaca, usar saiotes levianos e ser boa em digitação, vivia assim sonhando literário e cinematográfico. Seu último romance foi Nouvelle Vague, e em nove meses tudo se acabou. Voltou a realidade e a suas conseqüências.

Lendo "Como me tornei estúpido" (Martin Page)