Sem vergonha
Hoje tava conversando com um amigo e descobri um pouco mais sobre mim. Descobri principalmente que são os outros que fazem a gente se conhecer melhor, reparar no que realmente é e no quanto é capaz de atingir as pessoas que nos rodeam ou nos conhecem de alguma forma. Tava explicando pra esse amigo que o motivo de gostar dele e de nos darmos bem é porque eu não sinto vergonha de falar nada pra ele. Sem vergonha sobre nenhum assunto, sem nenhuma insegurança. Depois parei pra pensar e, no geral, percebi que não tenho vergonha de nada mesmo. Com ninguém. E achei isso bom. Sem vergonha pra falar o que penso, o que sinto, o que acho das coisas, o que não acho, sem vergonha pra fazer piadas cheias de sarcasmo e ironia em momentos perigosos, sem medo de demonstrar insegurança. De repente, me senti o que as pessoas chamam de "autêntica", mas ao mesmo tempo infantil, justamente porque não sei até que ponto as pessoas ao meu redor tratam isso de uma forma positiva. Mas reparei também que sou assim o tempo todo e as vezes até penso em mudar, ser mais séria, serena, tipo mulherão mesmo, mas logo em seguida desisto. Sou moleca de tudo e, hoje mais ainda, acredito que é assim, intrépida e mocinha, que estou conquistando o mundo.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
O casamento
Pra mulher esse é assunto muito delicado. Por mais independente e resolvida que ela seja é só ficar sabendo que alguém próximo vai casar que a coisa muda de figura. No meu caso tem um monte, entre primas e amigas, que inclusive não via a muito tempo. Hoje fui ver uma dessas amigas e na volta, dirigindo, parei pra pensar porque esse assunto é tão delicado. Porque toca tanto numa vaidade feminina e tão anti-feminista? Assumir que esse é um assunto delicado e reconhecer essa sensação estranha, que não é inveja, mas antes um sentimento de "como o tempo passa rápido e como é bom ver quem a gente gosta feliz", já é o primeiro passo. Parece que ao pensar assim essas mesmas independentes resolvidas se vêem contraditórias diante do que acreditam e proferem, sem entender porque naquele momento sentem que precisam daquilo que vivem dizendo que não precisam. No meu caso, pensei... não é nem por causa do casamento em si, da cerimônia, da festa, do vestido, das pessoas te parabenizando. Falo sinceramente. Não ligo pra essas coisas. Cheguei a conclusão de que pra mim, o que torna tudo isso delicado é ter certeza de que eu ainda não achei essa pessoa que, segundo o casamento, vai passar o resto da vida comigo, que com dedicação, esforço e amor (muito longe da solução mágica...) vai aguentar meus defeitos, vai dividir uma cama comigo, e fazer sexo de muito jeitos, falando palavrões durante e dando risada depois, mas que também vai dividir problemas, contas, TPM, filhos, futuro, casa na praia... Mais estranho do que me ver assumindo a delicadeza do assunto e refletir sobre ele, é me ver ainda crente na força e durabilidade do amor e das relações amorosas.
Pra mulher esse é assunto muito delicado. Por mais independente e resolvida que ela seja é só ficar sabendo que alguém próximo vai casar que a coisa muda de figura. No meu caso tem um monte, entre primas e amigas, que inclusive não via a muito tempo. Hoje fui ver uma dessas amigas e na volta, dirigindo, parei pra pensar porque esse assunto é tão delicado. Porque toca tanto numa vaidade feminina e tão anti-feminista? Assumir que esse é um assunto delicado e reconhecer essa sensação estranha, que não é inveja, mas antes um sentimento de "como o tempo passa rápido e como é bom ver quem a gente gosta feliz", já é o primeiro passo. Parece que ao pensar assim essas mesmas independentes resolvidas se vêem contraditórias diante do que acreditam e proferem, sem entender porque naquele momento sentem que precisam daquilo que vivem dizendo que não precisam. No meu caso, pensei... não é nem por causa do casamento em si, da cerimônia, da festa, do vestido, das pessoas te parabenizando. Falo sinceramente. Não ligo pra essas coisas. Cheguei a conclusão de que pra mim, o que torna tudo isso delicado é ter certeza de que eu ainda não achei essa pessoa que, segundo o casamento, vai passar o resto da vida comigo, que com dedicação, esforço e amor (muito longe da solução mágica...) vai aguentar meus defeitos, vai dividir uma cama comigo, e fazer sexo de muito jeitos, falando palavrões durante e dando risada depois, mas que também vai dividir problemas, contas, TPM, filhos, futuro, casa na praia... Mais estranho do que me ver assumindo a delicadeza do assunto e refletir sobre ele, é me ver ainda crente na força e durabilidade do amor e das relações amorosas.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Espaço
"Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundências o meu silêncio! tinha textura a minha raiva) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse 'para onde estamos indo?' - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: 'estamos indo sempre para casa'." (Lavoura Arcaica - Raduan Nassar)
Perdi algumas referências em relação a família e ao amor. Mas afinal, não acaba tudo no mesmo lugar? Hoje penso assim por consequência das leituras, mas principalmente pela contundência dos fatos. Até um hamster me ensina melhor o que é ser um irmão.
"Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundências o meu silêncio! tinha textura a minha raiva) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse 'para onde estamos indo?' - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: 'estamos indo sempre para casa'." (Lavoura Arcaica - Raduan Nassar)
Perdi algumas referências em relação a família e ao amor. Mas afinal, não acaba tudo no mesmo lugar? Hoje penso assim por consequência das leituras, mas principalmente pela contundência dos fatos. Até um hamster me ensina melhor o que é ser um irmão.
domingo, 13 de julho de 2008

Porque é nas férias que as coisas acontecem...
Essa semana foi reveladora. Consegui concretizar pequenos prazeres, possíveis apenas no período de férias, pelo menos da faculdade.
Na quinta-feira fui ao HSBC Belas Artes assistir uma sessão especial de "Medos privados em lugares públicos", último filme do Alan Resnais (o mesmo de Smoking/No Smoking, que eu acho sensacional). Em seguida houve um debate em comemoração pelos 12 meses de exibição do filme no cinema da Consolação com um crítico de jornal. O filme é incrível, 7 personagens sem passado, em busca de amor, de estabilidade, de perspectiva, de afeto, de atenção, de vida em geral. Fotografia impecável, recursos estilísticos pungentes pra revelar os sentimentos. Inspirador e humano.
Na sexta-feira a noite fui pro Guarujá, na casa da tia. Vi o mar. E ele me viu. Percebi que precisava vê-lo pra limpar a cabeça e molhar o corpo. E também apreciar o sol em ambiente propício. Até hoje de manhã não havia sentido vontade de escrever e conclui instantaneamente que era mesmo necessário limpar a cabeça, mas que a minha verdadeira inspiração e angústia está na cidade.
Agora a pouco (domingo a tarde, dia mais triste da semana...) terminei de (re)ler Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar. Digo reler porque já tinha entrado em contato com esse livro antes e até o li, mas era muito nova, sei que havia sentido muito menos do que é possível sentir com esse texto. Ao fim da leitura além da angústia, tinha irritação nos meus olhos e nos meus ouvidos, talvez uma irritação institucional com o que me cerca. E também uma vontade de chorar.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
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