Sentia falta de tudo, era uma sensação de ausência constante. Às vezes nem sabia o que faltava, mas o tempo todo tinha alguma coisa incompleta no trabalho que fazia, nas tardes quentes de cerveja com os amigos, nos bons fins de noite em que jogava baralho com a família e até nos filmes que ansiosamente esperava pra assistir no cinema. Ela estava feliz com tudo aquilo, sentia que finalmente o seu cotidiano era composto pela minuciosa composição artística de suas próprias escolhas. Mas mesmo assim, faltava o outro.
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Na última noite de sexta, num sobressalto, pôs-se a caçar na agenda os nomes possíveis, mas com bastante critério. Talvez até em excesso. Não achou nenhum. Instintivamente já estava convencida de que nenhum daqueles nomes do passado poderia oferecer o que ela buscava.
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Se sentiu reconfortada, como quando se faz um descoberta essencial, mas de aparência óbvia. Clareou-se finalmente o porquê de sua inadequação com o sexo casual, tão comum por aí: porque quando se dorme com alguém o depois tem de ser sempre uma confirmação de que vale a pena existir, e se não for assim não tem graça. Às vezes o costume da insônia abençoa a metade certa, que acorda antes e se deleita em contemplar a respiração do par, a pele lisa e de cor uniforme do peito em movimento, pra cima e pra baixo. O peito cheio, os olhos fechados e a feição de alívio da exaustão preenchem o que nem mais se lembra que era falta. Sem isso, há sempre ausência, e não há nada pior do que acompanhada, se sentir sozinha.
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Calma, depois do devaneio, encontrou-se em sua cama, ainda acompanhada daquela falta lantente e sem nome. Otimista, Joaquina era capaz de apostar que em algum lugar, naquele exato momento, alguém a amava verdadeiramente, mas a única realidade ali era o cobertor frio materializando uma ausência anônima. Fatalista e sem rodeios, se masturbou e dormiu.
1 comentários:
Anônimo, querido
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